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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Com iene mais alto dos últimos 14 anos, Japão sinaliza possível intervenção

Por: Nathália A. Terra Pereira27/11/09 - 09h22InfoMoney


SÃO PAULO - A tendência de desvalorização do dólar vem preocupando muitas autoridades monetárias pelo mundo. Nesta sexta-feira (27), particularmente, foi o governo japonês quem veio a público comentando a possibilidade de intervir no mercado cambial do país."Faremos o que for necessário", disse categoricamente Hirohisa Fujii, ministro de Finanças do Japão. O iene opera a US$ 84,83, patamar não visto desde julho de 1995, ao passo que o Nikkei 225, o principal índice da bolsa japonesa, registrou nesta sexta-feira sua maior queda dos últimos oito meses.Muitos acreditam que o governo esteja sinalizando uma possível venda de iene no mercado, a fim de conter a apreciação da moeda. A última operação deste tipo realizada pelas autoridades japonesas foi em 2004, quando um montante recorde de ¥ 14,8 trilhões foi vendido ao mercado.Segundo analistas, o patamar dos US$ 85,00 deve ser a grande referência da equipe econômica do governo; abaixo disso, o iene passa a afetar significativamente o desempenho das exportadoras do país.


Exportadoras penalizadas

Um dos principais setores ameaçados pela alta da moeda nacional é o automobilístico. O diretor de operações da Nissan, Toshiyuki Shiga, afirmou há algumas semanas que a empresa discute uma eventual mudança das atividades para outros países, uma vez que o iene apreciado constitui "um grande risco" à produção no Japão.Analistas apontam também para grandes perdas financeiras nos próximos resultados de companhias do setor tecnológico, como Sony, Canon e Sharp. As três projetam um iene entre US$ 90,00 e US$ 95,00 ao final deste ano.

Deflação preocupa

O câmbio japonês valorizado afeta não somente o âmbito corporativo, mas também o cenário econômico. A alta de 8,2% do iene frente ao dólar nos últimos três meses vem sendo apontada como a principal responsável pelas pressões deflacionárias constatadas no país.O índice de preços ao consumidor japonês caiu 2,2% na comparação do mês de outubro deste ano com igual período do ano passado, próximo à queda recorde de 2,4% constatada em agosto. O temor do governo e de analistas é que a deflação possa minar a recuperação econômica japonesa frente à crise financeira internacional.

Ênyo Menezes

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