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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Bolsas asiáticas têm forte queda após moratória em Dubai

Do G1, em São Paulo

As bolsas da Ásia tiveram fortes baixas nesta sexta-feira (27) em consequência dos temores relacionados às dificuldades financeiras de Dubai, depois que o principal grupo econômico do emirado, o Dubai World, pediu uma moratória para o pagamento de sua dívida.

Tóquio encerrou a sessão em forte baixa de 3,22%. O índice Nikkei perdeu 301,72 pontos, a 9.081,52 unidades, em consequência dos temores sobre de Dubai e também da valorização do iene em relação ao dólar. O índice ampliado Topix cedeu 18,55 pontos (-2,24%), a 811,01 unidades.

Em Hong Kong o tombo foi ainda maior, com queda de 4,84%. O índice Hang Seng perdeu 1.075,91 pontos, a 21.134,50 unidade. Outros mercados importantes também foram afetados: Xangai perdeu 2,36% e Seul recuou 4,69%.


Temor mundial
Na quinta-feira, o Emirado de Dubai declarou que vai pedir adiamento do pagamento de parte da sua dívida, o que espalhou pelos mercados o medo de que a inadimplência afete bancos expostos à investimentos ligados ao emirado.
Como consequência, bolsas de todo o mundo fecharam com perdas. No Brasil, a queda na quinta-feira foi de 2,25%. Na Europa, os principais índices caíram mais de 2%.
O governo de Dubai tentou tranquilizar os mercados afirmando que seu pedido de moratória do pagamento da dívida de US$ 59 bilhões da estatal Dubai World é necessário para "encarar o fardo da dívida".

Mas os riscos de falência do Emirado de Dubai reavivam as inquietações sobre a saúde financeira de alguns países, em especial da Europa do Leste, esmagados pelo endividamento público e enfraquecidos pela recessão mundial.

A falência de um Estado não é algo frequente. Em 2001, a Argentina se declarou inacapaz de honrar os pagamentos de sua dívida externa, fomentando graves tumultos sociais e abrindo uma crise que se alastrou por vários anos.

Porém, com a recessão, o risco desse cenário volta a ameaçar. Obrigados a socorrer os contribuintes e os bancos, os estados contraíram empréstimos com os mercados para financiar seus déficits. De acordo com a agência Moody's, a dívida pública mundial vai aumentar 45% entre 2007 e 2010.

Em consequência, os mercados podem deixar de comprar títulos de dívida pública e as obrigações emitidas por alguns Estados, ameaçando seu abastecimento de dinheiro.

"Os problemas surgem quando os mercados perdem confiança na capacidade de um país de pagar sua dívida", resumiu o economista Juan Carlos Rodado, da Natixis.


'Exagero'
Mas nos Emirados Árabes Unidos, a imprensa considera que as dificuldades financeiras de Dubai foram exageradas pelos mercados financeiros. "Reações exageradas dos mercados europeus às notícias de Dubai", destaca o jornal econômico de Abu Dhabi, Alrroya Aleqtissadiya.

Para o jornal, os mercados reagiram de maneira muito negativa ao anúncio de Dubai, quando permaneceram impassíveis diante dos números negativos do emprego na Europa e Estados Unidos.

O Gulf News de Dubai afirma que não se deve exagerar nem subestimar a situação atual, insistindo na "transparência" da medida adotada por Dubai e em estreita colaboração com o sócio, o rico emirado petroleiro de Abu Dhabi.

O jornal informa que o governo de Dubai tem uma "estratégia para enfrentar a situação" em cooperação com Abu Dhabi e que os cinco bilhões de dólares de bônus do Tesouro assinados por dois bancos de Abu Dhabi integram a mesma.

Ênyo Menezes

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