Por: Nathália A. Terra Pereira26/11/09 - 10h02InfoMoney
SÃO PAULO - Se o desempenho dos mercados neste ano tivesse de ser resumido em uma única palavra, "surpreendente" poderia muito bem exercer a função. Enquanto o cenário econômico segue imerso em contrações e desemprego, os negócios nas bolsas vão muito bem.A aparente contradição é facilmente explicada pelos analistas da gestora Pimco: "o recente rali deve-se à queda nos riscos sistêmico e de liquidez, antes muito elevados". Mais do que uma explicação, a visão traz consigo perspectivas não muito favoráveis.O raciocínio da equipe é simples: se a valorização registrada nos últimos meses não vier sustentada por uma melhora efetiva na economia e no ambiente corporativo, ela estará inevitavelmente fadada ao curto prazo. "Com as condições ainda muito fragilizadas, o rali nos preços de ações e títulos deverá em breve acabar", alerta a Pimco."O Novo Normal"A despeito da recente melhora registrada por alguns indicadores econômicos e resultados trimestrais corporativos nos EUA, a visão da Pimco é de um cenário conturbado ainda por um bom período. "Com companhias cortando custos, o desemprego deve manter-se alto, minando qualquer recuperação mais sólida uma vez que a demanda entre consumidores continua fraca", prevê a firma.No entanto, as dificuldades enfrentadas pela maior economia do mundo podem não ser efêmeras. Pelo contrário, na visão dos analistas, elas são o sinal de algo maior por vir; "de uma nova realidade econômica e financeira", batizada pela Pimco de "Novo Normal".Esta mudança no paradigma das relações econômicas internacionais seria ditada principalmente pelo deslocamento das taxas de crescimento no mundo, passando das economias desenvolvidas, como EUA e Europa, para países como Índia e China, que assim, assumiriam de vez o posto de novos líderes da expansão global.Mas o "Novo Normal" viria acompanhado de outras características além de tal tendência, que, afinal, não é novidade para ninguém. A Pimco prevê uma contínua desalavancagem dos principais bancos e corporações norte-americanas e europeias, além de uma maior regulação e intervenções governamentais nos mercados cada vez mais frequentes e incisivas.Adaptando estratégias"À medida que emerge essa nova realidade, algumas companhias e até mesmo alguns países poderão perecer, enquanto outros irão prosperar, ditando um ambiente potencial tanto para ganhos quanto prejuízos", afirmam os analistas. A questão é, portanto, saber se adaptar à nova era da economia e finanças internacionais.Para a equipe da Pimco, o segredo de estratégias de alocação de investimentos neste novo ambiente é a diversificação. "Estratégias tradicionais, fortemente sustentadas por análises de comportamentos históricos e padrões, provavelmente devem decepcionar os investidores", diz a firma.A sugestão da Pimco é abandonar indicadores tradicionais, como relações preço/lucro, ratios e spreads, e adotar a tática de "rotação entre setores", baseada na alternância dos investimentos em diferentes mercados conforme o prognóstico atual do cenário econômico.Investindo de olho na economiaA definição aparenta ser complexa, mas o conceito é simples. A equipe da Pimco analisou os retornos registrados pelas seis maiores categorias de ativos nos últimos vinte anos - dívidas de mercados emergentes, títulos de alto rendimento, títulos conversíveis, Treasuries, ações e títulos atrelados ao investment grade.A análise revelou que, em tempos iniciais de uma recessão, a categoria com os melhores retornos é a de títulos atrelados ao investment grade e a de Treasuries, ao passo que os títulos de alto rendimento costumam apresentar os melhores desempenhos nos tempos finais de um período de recessão.Em tempos economicamente prósperos, os mercados com os maiores retornos são os de dívida de mercados emergentes e o de ações - embora este último apresente performance consideravelmente melhor nos tempos finais de uma expansão econômica, dado que os lucros corporativos estão mais amadurecidos e incorporados."A habilidade de identificar tendências tanto seculares quanto cíclicas e suas respectivas implicações para os retornos de cada setor de ativos é chave para uma estratégia de investimentos bem sucedida na nova era", concluem os analistas da Pimco.
Ênyo Menezes
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
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