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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Em um jogo de gato e rato, bancos se tornam complexos para desviar da regulação

Por: Valter Outeiro da Silveira27/11/09 - 08h00InfoMoney


SÃO PAULO - Na busca por maior transparência nos mercados, reguladores ao redor do mundo apertam as regras sobre os bancos e buscam meios para impedir manobras contábeis e exposição exacerbada ao risco.No entanto, quanto maior e mais complexo for o banco, mais difícil será para que a regulação tenha efetividade. Partindo desse pressuposto, será por isso que os bancos são tão grandes e complexos?Em artigo, o professor da Universidade de Boston Edward Kane mostra como os bancos se mascaram em relação a sua grandeza e complexidade, bem como revela o jogo de gato e rato entre reguladores e instituições financeiras.

Estado lento, bancos rápidos

"A regulação é mais bem compreendida se for vista como um jogo dinâmico de ação e reação, no qual reguladores e regulados podem tomar um passo a qualquer momento", discorre Kane, ao ressaltar que geralmente os regulados tendem a realizar passos mais rápidos e menos previsíveis, com decorrências "menos transparentes do que aquelas tomadas pelos reguladores".Mais adiante, o professor de Boston traça um paralelo entre presente e passado. "Trinta anos atrás, os reguladores estavam focados em restringir operações básicas dos bancos, que as respeitavam. Hoje em dia, todos os tipos de organizações financeiras focam em técnicas de engenharia financeira para explorar as deficiências na supervisão do governo", avalia Kane.

Complexo de propósito

Nesse sentido, os bancos não ganham retornos de escala por se tornarem maiores, e sim se beneficiam da rede de segurança do governo por serem mais complicados, ou seja, menos transparentes aos reguladores. Em outras palavras, conglomerados financeiros preferem ser ineficientes ao invés de perderem os benefícios de uma menor regulação do governo."Á medida que as instituições se aproximam dos rótulos MDFA (Muito Difícil para Falir e Abrir) e MGAD (Muito Grande para se Adequar à Disciplina), a maximização do valor os leva ao trade-off entre a ineficiência de manterem uma estrutura complexa e os malefícios das regras mais rígidas do governo", completa Kane.

Fraudes tornam-se salários

Já não bastasse a diferença de velocidade entre gatos estatais e ratos bancários, a ponte estreita entre público e privado corrobora para elevar ainda mais tal distância. Diante deste cenário, o professor da Universidade de Boston lembra a teoria microeconômica de incentivos através de salários, na qual o trabalhador responde positivamente mediante uma melhor remuneração de sua força de trabalho.Propondo um modelo, Kane sugere que os reguladores poderiam ser pagos através de compensações que fossem remuneradas conforme seu desempenho na vigilância das instituições financeiras, durante a sua permanência na agência e mesmo após a aposentadoria.


Ênyo Menezes

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