Desde 10/08/2009

Entre no Chat sobre ações e opções

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Melhor investimento de 2009: Ibovespa sobe 82,66% em seu melhor ano desde 2003

SÃO PAULO - Para apagar um 2008 que significou seu pior desempenho desde 1972, o Ibovespa deu a volta por cima e subiu nada menos que 82,66% em 2009, seu melhor ano desde 2003. De longe a melhor escolha de investimento do ano.

Bem atrás aparecem as alternativas de renda fixa, como CDI (retorno nominal de 9,8% em 2009), CDB (9,7%) e poupança (6,9%). Enquanto dólar e ouro se mostraram escolhas pouco interessantes, já que acumularam retorno nominal negativo. Para se ter uma ideia, a desvalorização do dólar comercial em 2009 foi de 25,4%, a maior desde que o Real foi criado, em 1994.

Por fim, o ouro, que vem de repique nas últimas semanas do ano e até o início de dezembro marcava forte valorização, perdeu fôlego no final e fechou 2009 no vermelho.

O 2009 dos mercados
O ano começou com a dúvida da eficácia dos pacotes emergenciais de socorro às economias em todo o mundo e termina com a dúvida se estas economias conseguirão caminhar sem eles daqui em diante.


Var. do Ibovespa
Janeiro +4,66%
Fevereiro -2,84%
Março +7,18%
Abril +15,55%
Maio +12,49%
Junho -3,26%
Julho +6,41%
Agosto +3,14%
Setembro +8,90%
Outubro +0,05%
Novembro +8,93%
Dezembro +2,30%


Nem tinha como ser diferente. O que o mercado tinha em mãos ao início de 2009 era uma enxurrada de indicadores deteriorados da economia real, fraco desempenho corporativo - que se refletia em milhares de demissões ao redor do mundo e só traziam mais desalento - e temor de que os ocorridos em setembro (quebra do Lehman Brothers) e outubro (mínimas das bolsas globais) de 2008 ainda não significavam o fundo da maior crise desde a década de 1930.

A situação dos bancos era nebulosa, o mercado de crédito resistia em voltar a fluir, a economia ainda sentia o peso das consequências da crise e os pacotes de estímulo econômico ainda estavam em fase de implementação. Difícil dar muito crédito às projeções de que, dali em diante, o caminho era de retomada.

Este primeiro momento de desconfiança demorou a ceder espaço. A virada viria somente ao final de março, sem um marco único, mas sim por uma junção de fatores: percepção de que o ritmo de contração dos indicadores econômicos diminuia, retomada gradual dos lucros corporativos e primeiros sinais de eficácia dentre as medidas governamentais são alguns deles.

Seria errado falar que o cenário dos mercados de capitais transigiu tranquilamente. Até mesmo o ambiente de melhores perspectivas, visto a partir do segundo trimestre e com corpo nos últimos meses do ano, veio sempre acompanhado de questionamentos. As melhoras vistas naquele primeiro momento se conservariam? Será que as perspectivas não estavam demasiadamente otimistas? A precificação de retomada não estava exagerada - estava em formação uma bolha nos ativos de risco?

Depois de um meio de ano recheado de pregões vigorosos, os últimos meses de 2009 viriam para frear um pouco o ritmo de recuperação. Independente do quão fundamentados ou exagerados foram os ganhos na renda variável, os mercados novamente freiam o ritmo de compras e preferem "esperar para ver", sendo que agora as dúvidas são outras.

Confira na tabela abaixo a rentabilidade dos principais investimentos:

Investimento 2009 Real* 2008 Real**
Ibovespa +82,66% +85,85% -41,22% -46,48%
CDI*** +9,81% +11,73% +12,04% +2,02%
CDB **** +9,72% +11,64% +12,30% +2,26%
Poupança +6,92% +8,79% +7,90% -1,75%
Ouro -3,05% -1,35% +32,13% +20,31%
Dólar Ptax -25,49% -24,19% +32,00% +20,19%
IGP-M -1,72% +9,81%

* Deduzida a inflação pelo IGP-M que ficou em -1,72% em 2009
** Deduzida a inflação pelo IGP-M que ficou em +9,81% em 2008
*** Taxa Efetiva Anbima
**** Taxa pré 30 dias

Não podemos deixar de citar que em 2009 o Brasil mostrou sua força. O terceiro grau de investimento, a conquista da sede das Olimpíadas de 2016, o forte fluxo de investimento estrangeiro, os números da nossa economia e o posicionamento das nossas empresas em âmbito global são apenas alguns dos elementos que simbolizam como o Brasil performou durante este 2009 de saída da crise - até renderam uma capa na conceituada revista The Economist. Há quem diga que não somos mais emergentes, já emergimos.

O Brasil é a bola da vez, nossa bolsa é a que mais subiu no mundo (medindo o desempenho em dólar dos índices de ações). O governo quer evitar a formação de uma bolha nos ativos financeiros e conter a desvalorização do dólar, e para isso taxou capital estrangeiro e emissões de DRs - medida que rendeu muitas críticas e poucos resultados. Para o início de 2010, vale a pena monitorar o fundamento por trás dos 82,66% de alta do Ibovespa no ano que termina.

Diogo Patriota.

Nenhum comentário:

Postar um comentário