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domingo, 11 de outubro de 2009

ROUBINI: MERCADOS PRECIFICARAM INCORRETAMENTE RECUPERAÇÃO EM V‏

Nova York - O economista Nouriel Roubini disse estar preocupado com o avanço acentuado nos preços das ações norte-americanas desde março por acreditar que os investidores estão apostando em uma recuperação econômica em forma de "V" - algo que, segundo ele, dificilmente acontecerá. "Parte (do rali) é baseado nos fundamentos", afirmou. "Nós evitamos o Armageddon, há uma luz no fim do túnel e a aversão ao risco está menor. Mas isso aconteceu tão rápido e tão cedo, do meu ponto de vista, que diverge dos fundamentos econômicos subjacentes". "Os mercados estão esperando uma recuperação em 'V' e precisam começar a esperar uma recuperação em 'U', então podemos esperar uma correção no quarto ou no primeiro trimestre." Roubini também negou ser um pessimista permanente e afirmou que seu apelido por conta de seus avisos sobre o colapso do mercado de imóveis residenciais dos EUA não deveria ser "Dr. Apocalipse", mas sim "Dr. Realista". Ele e outros economistas alertaram recentemente que o Federal Reserve precisa elevar os juros de forma agressiva para evitar a criação de uma nova bolha nos preços de ativos. "A política monetária precisa ser mais proativa para evitar que ocorram bolhas nos preços de ativos", afirmou. No entanto, "ainda não é o momento para aumentar (as taxas de juro)", levando em consideração a fraqueza da economia dos EUA, disse Roubini. "Outra ferramenta é necessária para evitar uma bolha nos ativos - a regulação." "(Ou aumentamos a regulação) ou vamos criar mais um problema", afirmou o economista. "Estou relativamente otimista com a possibilidade de grande parte dela ser aprovada pelo Congresso - há um reconhecimento de que, se não fizermos isso, vamos criar as sementes da nova crise." "Não se pode atingir dois objetivos com um instrumento", disse Roubini, comentando que estimular a economia e combater a formação de uma bolha nos preços dos ativos são metas que não podem ser cumpridas simultaneamente por meio de movimentos nas taxas de juro. "A recuperação será tão fraca que não há como o Fed elevar as taxas de juro em breve", avaliou o economista. Segundo ele, a taxa de desemprego nos EUA, por exemplo, "certamente ficará bastante acima de 10%" por algum tempo, porque "muitos dos empregos foram perdidos para sempre". "Estou tão ou mais preocupado com a zona do euro e o Japão quanto estou com os EUA", por conta dos "impedimentos institucionais" que eles enfrentam. As informações são da Dow Jones. (Gustavo Nicoletta)

Fonte: AE/News

Eduardo Coutinho

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